
A decisão judicial que proibiu o senador Flávio Bolsonaro de visitar o pai reacendeu comparações com o período em que o presidente Lula esteve preso em Curitiba, após a condenação na Operação Lava-Jato. Na época, Lula recebia visitas frequentes do então candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad.
O paralelo tem sido explorado pelo filho de Jair Bolsonaro para contestar as restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Moraes determinou a proibição de visitas por 90 dias após a divulgação de uma carta assinada pelo ex-presidente.
“O contraste é evidente. Preso em 2018, Lula recebeu centenas de visitas e manteve interlocução política com seus aliados, inclusive Fernando Haddad. Durante a campanha eleitoral, manifestou-se publicamente por cartas, chegando a pedir votos para o candidato que o substituiu. Ainda preso, concedeu entrevistas à imprensa e suas declarações repercutiram amplamente nas redes sociais”, afirmou o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro.
Assim como Flávio fez agora em relação ao pai, Haddad também foi constituído advogado de Lula para ter direito às visitas periódicas. Na ocasião, os encontros eram utilizados para discutir a estratégia eleitoral do PT na disputa presidencial de 2018 contra Jair Bolsonaro.
Durante a campanha, Bolsonaro explorou politicamente essa relação. Chamava Haddad de “fantoche” de Lula e chegou a se referir ao adversário como “pau mandado de presidiário” e “marmita de corrupto preso”.



