
A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de autorizar a abertura de um inquérito para investigar o repasse de Daniel Vorcaro ao filme sobre a vida de Jair Bolsonaro acendeu um sinal de alerta no entorno de Flávio Bolsonaro. A preocupação mais imediata é com a formação de alianças para a disputa eleitoral.
A notícia chega na reta final das conversas com a cúpula do Republicanos e um dia depois de a federação União Progressista informar que não pretende formalizar apoio ao senador.
Com a convenção partidária marcada para sábado (25), Flávio pretendia encerrar a semana com a chapa definida. Agora, passa a enfrentar um obstáculo adicional diante da desconfiança em torno do financiamento do filme.
Antes da abertura do inquérito, solicitada pela Polícia Federal (PF) com manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), as suspeitas haviam sido expostas apenas em reportagens.
O repasse de R$ 61 milhões do dono do Banco Master para a produção cinematográfica teve a intermediação de Flávio. Embora a abertura do inquérito não represente, por si só, a comprovação de qualquer irregularidade, é certo que manterá o senador sob pressão até a eleição, com a possibilidade permanente de novos desdobramentos.
O receio aumenta por causa de outra frente de apuração: a emissão de notas fiscais por supostos serviços de advocacia a uma empresa ligada a Vorcaro. Até o momento, esse caso também veio a público apenas por meio de reportagens.
Embora Flávio mantenha bom desempenho nas pesquisas — em alguns cenários, empatando tecnicamente com o presidente Lula —, a sucessão de episódios amplia a resistência de potenciais aliados. Em campanhas eleitorais, o peso de uma investigação costuma estar menos na existência de uma condenação e mais na incerteza sobre o que ainda pode surgir ao longo da disputa.




