A possibilidade de o veto da União Europeia à carne brasileira influenciar as relações comerciais com outros países amplia a preocupação do setor produtivo. As decisões regulatórias adotadas pelo bloco servem de referência a diversas nações.
O governo federal tenta reverter a decisão antes de 3 de setembro, data em que está prevista a entrada em vigor da medida. O esforço também envolve as entidades do setor privado que, em 2025, exportaram US$ 1,8 bilhão em carnes para os países do bloco.
— A União Europeia tem poder de influência mundial, ela é formadora de opinião entre os regulatórios internacionais. A China está recebendo os nossos produtos, ela também tem estas exigências, mas está satisfeita com o nível de fiscalização que a gente tem. Estamos aguardando para que a gente consiga comprovar que o Brasil já cumpre (as exigências sanitárias) — afirmou Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal ao Gaúcha Atualidade.
A União Europeia é o quarto maior destino da carne bovina brasileira e o oitavo da carne de frango. Na prática, a decisão anunciada no final da última semana retirou o Brasil da lista de países que cumprem as regras do bloco sobre o uso na pecuária de antimicrobianos, substâncias empregadas para prevenir ou tratar infecções e que podem ser usadas também no crescimento de animais.
O Brasil terá de reforçar a comprovação de que as proteínas e os produtos de origem animal exportados ao bloco, sobretudo a carne bovina, não são produzidos com uso de determinados antimicrobianos. Além disso, o governo terá de garantir a efetividade da fiscalização sobre as normas.
Apesar de não estar relacionada ao recente acordo comercial assinado entre Mercosul e União Europeia, a decisão pode ter influência política. Santin ressaltou que países como França e Irlanda resistem à concorrência da proteína brasileira e seriam beneficiados diretamente com o veto.


