
Alvo da mais recente fase da Operação Compliance Zero, o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), iniciou a trajetória de relacionamento com Daniel Vorcaro a partir da privatização de uma rede estatal de supermercados na Bahia, que terminou com a criação de uma linha de crédito consignado a servidores operada pelo Banco Master.
As negociações se concentraram durante o governo de Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil do atual governo.
As investigações mostram que a relação entre Vorcaro e a cúpula do PT na Bahia têm como elo o banqueiro Augusto Lima, o Guga, que foi sócio de Vorcaro no Master. Parte das informações que embasaram a operação desta quinta-feira (18) já havia sido revelada no final do ano passado, quando Lima foi preso.
O banqueiro transformou o programa CredCesta, que antes funcionava apenas como benefício de compras para servidores públicos, em um negócio ampliado de crédito consignado. A iniciativa se expandiu rapidamente para outros Estados, ampliando lucros do Master.
Na Bahia, o banco também foi beneficiado por um decreto de 2022, editado pelo governo de Costa, que restringiu a portabilidade dessas dívidas para outros bancos, ampliando a presença da instituição financeira no setor.
A partir de outras fases da Compliance Zero, a PF chegou a uma série de indícios de que Wagner tenha recebido vantagens indevidas para facilitar os negócios de Vorcaro. Além do uso de jatinhos e acesso privilegiado a shows, as investigações mostram que o senador pode ter recebido repasses milionários por meio de empresas de familiares.



