
Visivelmente irritado com as novas ameaças de retaliação comercial dos Estados Unidos, o presidente Lula elevou o tom das críticas a Donald Trump, em um movimento que também antecipa a defesa da soberania como uma de suas principais bandeiras eleitorais.
Nesta quarta-feira (03), Lula reuniu a equipe ministerial e anunciou que um dos principais objetivos do encontro era uma "arrumação de discurso".
Além de orientar a equipe a "não baixar a cabeça para os Estados Unidos", Lula deu exemplos de que o seu governo procurou a Casa Branca, sempre priorizou o diálogo e respeitou a autoridade americana, enquanto, segundo ele, Trump foi desrespeitoso ao ignorar uma relação diplomática de mais de 200 anos e anunciar medidas pelas redes sociais.
Há um evidente incômodo no entorno de Lula com o fato de as reuniões não surtirem o efeito desejado.
A porta do diálogo não foi fechada, mas na comparação com o ano passado, quando os Estados Unidos impuseram taxação de 50% aos produtos brasileiros, é visível agora maior disposição do governo brasileiro ao enfrentamento — algo que também é influenciado pelo ambiente de disputa eleitoral.
— O que tem que saber é que o Brasil é dono do seu nariz, é um país democrático e soberano. Por conta desta soberania, nós faremos tudo que for necessário. Não cederemos. Quem quiser explorar terras raras aqui vai ter que falar com o governo brasileiro. Quem quiser explorar minerais críticos, vai ter que conversar com o governo — disse Lula, mencionando um dos principais ativos de negociação do país.
No trecho que foi transmitido da reunião ministerial, Lula também fez críticas à família Bolsonaro, reforçando a ideia de que o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) trabalha contra os interesses do país. Orientou seus ministros a propagarem em "alto e bom som" as tentativas de traição do país.
— Estão tentando trair o Brasil com interesse mesquinhos e rasteiros. Com interesse eleitoral. Não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria — bradou. — Este país não adotará mais a política de vira-lata diante de grandes potências, não somos melhores nem piores que ninguém.
Possível presença no G-7
O anúncio da retaliação comercial fez Lula mudar de ideia sobre a próxima reunião do G-7, prevista para a metade do mês, na França. O presidente não pretendia comparecer, mas anunciou aos ministros que estará no encontro para discutir com as demais potências do mundo a necessidade de impor freios a ações unilaterais - como a guerra promovida entre Estados Unidos e Irã.





