
O Senado entra em uma semana decisiva sobre o futuro da PEC que proíbe a escala 6x1. Se o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), não liberar o início da tramitação nos próximos dias, dificilmente o tema será enfrentado antes do recesso–- marcado para começar em 18 de julho.
Na Câmara, a tramitação foi acelerada para que as regras pudessem valer antes das eleições de outubro. Há transição de 60 dias após a promulgação. O calendário só poderá ser cumprido, portanto, se o texto for aprovado no Senado antes da pausa regimental.
Além da conhecida dificuldade de relacionamento entre Alcolumbre e o Planalto, a troca na liderança do governo poderá ampliar o impasse. O senador Jaques Wagner (PT-BA), que deixou o posto diante de suspeitas de envolvimento com o escândalo do Master, tinha melhor trânsito com as lideranças da Casa que sua substituta, a senadora Teresa Leitão (PT-PE).
O presidente Lula pretende utilizar a mudança na jornada de trabalho como uma de suas principais bandeiras eleitorais. Mas, apesar da pressão que o petista tem exercido publicamente, o governo não vê, do ponto de vista político, um cenário de terra arrasada.
O argumento mais ouvido no entorno de Lula é de que ele será beneficiado nas urnas por ter proposto a mudança. Caso o texto não avance agora, poderá utilizar a barreira imposta pelo Senado contra seu principal adversário. Flávio Bolsonaro, além de ser contrário ao fim da escala 6x1, tem defendido a PEC da hora trabalhada, que conta com apoio maciço do setor empresarial para dar mais flexibilidade às contratações.
A redução de jornada está longe de ser unanimidade entre os brasileiros. Além dos grandes empregadores, há preocupação entre pequenos e médios com aumento de custos e perda de competitividade. Trabalhadores que dependem de comissões ou que atuam em atividades sazonais também temem redução nos contracheques.
O apelo popular ainda é relevante, contudo, porque pesquisas de opinião apontam em torno de 70% de apoio à redução da jornada. A estatística foi um dos principais argumentos levantados por deputados que votaram a favor da PEC mesmo com receio do impacto nos custos de contratação.





