
A investigação da Polícia Federal (PF) sobre o escândalo do Banco Master identificou pagamentos de suítes de luxo por Daniel Vorcaro em benefício do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do senador Ciro Nogueira (PP-PI)— ex-chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro e considerado o político mais próximo do banqueiro.
Relatório da PF ao qual a coluna teve acesso mostra que o dono do Master realizou os pagamentos para que os dois ficassem hospedados nas melhores acomodações do hotel Four Seasons, em Portugal, durante uma semana no final de junho de 2024 — data da realização do Fórum Jurídico de Lisboa, evento organizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes.
A PF reproduziu conversas de Vorcaro com uma assistente, demonstrando preocupação com a privacidade do evento e ressaltando, inclusive, a necessidade de privatização do espaço localizado em frente ao local, a fim de impedir qualquer visualização do que ocorresse em seu interior.
"Preciso muito que você dê uma atenção na questão de segurança. Cidade está lotada, eu tive lá no lugar agora. Tive uma reunião lá no clube. Tem que ter certeza que o lugar em frente ao restaurante também esteja privatizado porque senão dá pra ver tudo lá dentro", orientou o banqueiro.
"Pode ser o papa que não pode entrar ninguém que não esteja na lista", reformou Vorcaro.
Em conversa com outro assistente, o banqueiro enviou os nomes de uma "lista VIP" que seria recebida em evento privado na mesma semana. Além de Nogueira e Motta, constam os nomes de Fabio Faria, ex-ministro das Comunicações do governo Bolsonaro; do deputado Dr Luizinho (PP-RJ), líder do partido na Câmara; e do empresário Bruno Ferrari.





