
A Polícia Federal (PF) listou uma série de indícios de que o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), pode ter recebido um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões em troca de atuação favorável aos negócios do Banco Master.
Na representação que sustenta a nova fase da Operação Compliance Zero, os investigadores também citam repasse suspeito de R$ 3,5 milhões a uma empresa ligada a familiares do senador, além de viagens em jatinhos e pagamento por shows no Exterior (leia a íntegra abaixo).
No centro da ligação entre Wagner e o Master está o banqueiro Augusto Ferreira Lima, o Guga. Ele teria sido o responsável por acionar outro alvo da operação: Valério Marega Júnior, encarregado da aquisição de um apartamento em Salvador, na Bahia, que teria o senador como beneficiário.
"Em 26/11/2024, JAQUES WAGNER encaminhou a AUGUSTO FERREIRA LIMA o contato do gerente da Construtora Moura Dubeux em Salvador/BA, acrescentando: 'a unidade é a 1702 e o preço é 2,45 mi'. No dia seguinte, encaminhou o livro digital do empreendimento", descreve a PF, a partir de dados extraídos de aparelhos celulares e de documentos apreendidos em outras fases da Compliance Zero.
Cerca de seis meses depois, o senador encaminhou ao banqueiro um pedido de dados do proprietário formal do imóvel, necessários para realizar uma reforma. A autoridade policial sustenta, portanto, que foram utilizadas estruturas financeiras compatíveis com ocultação da titularidade real do bem.
Sobre o pagamento a uma empresa vinculada ao núcleo familiar de Wagner, a investigação envolve a BN Financeira LTDA. Diálogos entre pessoas ligadas ao senador e a Guga Lima tratam de pagamentos pendentes, com referências a boletos, notas fiscais, documentos a assinar e dificuldades financeiras.
O banqueiro teria apresentado como causa da apontada inadimplência nos pagamentos o insucesso da venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).
A representação da PF descreve possível atuação parlamentar do senador para favorecer os negócios de Daniel Vorcaro, do Master. Ele teria mantido discussões frequentes com Guga Lima sobre temas relacionados à elevação da margem consignável da remuneração disponível para os trabalhadores regidos pela CLT, para aposentados e pensionistas; além de autorizar a realização de empréstimos e financiamentos por beneficiários do BPC e de outros programas federais de transferência de renda.
Também estaria envolvido nas articulações para aumento do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), apresentado por outro alvo de investigações, o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Por fim, está sendo apurada a possível atuação parlamentar voltada à fiscalização e controle da operação de potencial aquisição do Master pelo BRB.


