
A possibilidade de uma delação premiada de Daniel Vorcaro se concretizar é considerada hoje praticamente impossível por quem acompanha o caso de perto. Isso pesou diretamente para a saída do advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca, da banca de defesa. Considerado um dos mais importantes criminalistas de Brasília, ele havia assumido o caso justamente com a intenção de viabilizar o acordo.
Além da Polícia Federal (PF), que recusou a proposta de delação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) já havia informado que o roteiro de apresentação de informações e provas era insuficiente. Portanto, seria necessária uma reformulação completa para permitir nova análise.
A promessa de devolução de pelo menos R$ 40 bilhões também foi recebida com desconfiança pelos investigadores. Com os negócios em queda livre após a descoberta da fraude no Master, o plano apresentado pelo banqueiro não oferecia garantias concretas.
A fragilidade da proposta se somou a outros fatores que, desde o início, dificultavam o acordo. O principal deles envolve o protagonismo de Vorcaro no caso. A própria legislação que instituiu a colaboração premiada impõe restrições para que líderes de esquemas criminosos obtenham benefícios como redução de pena ou perdão judicial.
Por tudo isso, no entorno do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), a possibilidade de um acordo sempre foi considerada remota.
Não há dúvidas, no entanto, de que o silêncio de Vorcaro pode beneficiar integrantes do alto escalão dos três Poderes. Nos microfones do Congresso e nas redes sociais, muitos defendem uma CPI do Master e cobram que Vorcaro revele tudo o que sabe. Nas conversas de gabinete, porém, o movimento já era — e continua sendo — no sentido oposto.



