
O presidente Lula terá de enfrentar ao menos duas questões se quiser reenviar o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). Há uma regra no regimento interno do Senado que impede a análise de uma autoridade já rejeitada na mesma sessão legislativa – ou seja, no mesmo ano. Além disso, seria necessário superar na disputa por votos a força do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que já demonstrou ter forte controle sobre os colegas.
Após a derrota histórica imposta pelo Senado no mês passado, Lula passou a avaliar nos bastidores a possibilidade de reenviar o nome de Messias a partir da tese de que mudar a escolha seria dar uma vitória pessoal a Alcolumbre. Ainda há uma ala do governo recomendando outro caminho, com receio de que uma segunda derrota inviabilize de vez a articulação do governo na reta final do mandato.
A opção defendida por este grupo é a indicação de uma mulher com trajetória reconhecida na carreira jurídica. Um nome que causaria constrangimento moral ao Senado para eventual rejeição.
O futuro da indicação deve passar também pelo clima político que será criado com os desdobramentos do caso Master. A derrota de Messias foi uma vitória de Alcolumbre, mas também do senador Flávio Bolsonaro.
Se a relação do pré-candidato à presidência do PL com Daniel Vorcaro ganhar corpo e tiver impacto nas pesquisas de intenção de voto, aliados de Lula acreditam que isso dará mais força ao governo pelo velho cálculo político da perspectiva de poder.





