
Considerado um dos principais pontos de vulnerabilidade do governo, o tema da segurança pública entrou no centro de uma estratégia política e eleitoral do presidente Lula. O objetivo é criar uma marca positiva de combate ao crime "no andar de cima", ou seja, contra líderes de organizações que expandiram negócios para setores lícitos e agem até mesmo dentro de instituições públicas.
Nesta terça-feira (12), ao lançar um pacote de investimentos de até R$ 11 bilhões contra o crime organizado, o presidente exaltou a Operação Carbono Oculto – que no ano passado atingiu um esquema de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal no setor de combustíveis – e outras iniciativas com participação integrada de órgãos federais e estaduais.
Sem citar nominalmente a operação policial comandada pelo governo do Rio de Janeiro que matou mais de cem pessoas nos morros do Alemão e da Penha, Lula defendeu que o combate ao crime não pode olhar apenas para favelas.
— Muitas vezes, o criminoso não é o pobre, o negro, o desempregado que está em bairro pobre. Muitas vezes, o responsável é um engravatado que está no andar alto, tomando whisky e zombando da nossa cara — disse Lula, em discurso no Palácio do Planalto.
— O crime às vezes está no meio empresarial, no Judiciário, no Congresso ou no futebol — completou.
No encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada, Lula reforçou a intenção de fortalecer os acordos de cooperação contra o crime organizado, mas frisou que a atuação das facções não parte apenas do Brasil.
— Eu disse ao Trump: se você quer combater o crime organizado, tem que entregar alguns nossos que estão morando em Miami. Tem lavagem de dinheiro do crime no Brasil sendo feita nos Estados Unidos.
Além de ampliar investimentos em parceria com os Estados, o governo quer reforçar ações integradas com outras áreas, envolvendo Receita Federal e outros órgãos que possam lidar com a complexidade de crimes mais sofisticados.




