
Alvo da Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (15), o empresário Ricardo Magro, controlador do grupo Refit, é considerado o maior sonegador de impostos do país e foi tema da conversa entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada. Na ocasião, Lula afirmou que Estados americanos estão servindo para lavagem de dinheiro de crimes que lesam o Brasil.
O empresário mora em Miami e agora entrou na lista vermelha da Interpol, usado para localizar e pedir a prisão provisória de foragidos em diferentes países.
Após o encontro com Trump, Lula afirmou que seu governo quer "chegar no andar de cima da corrupção", e classificou o controlador da Refit como um deles:
— Eu disse para o Trump: se você quiser combater o crime organizado de verdade, o Brasil está disposto a jogar todo o peso que a gente puder jogar para combater. E você poderia começar me entregando os brasileiros que estão aí. Tenho o endereço da casa e tenho o nome das pessoas brasileiras que têm praticado crime e que estão foragidas nos Estados Unidos. E eu estou aguardando sobretudo o dono da Refit, que é o principal deles, segundo dados da Receita Federal.
A PF apura o envolvimento de Magro em fraudes tributárias, lavagem de dinheiro e estruturação de esquemas para sonegação no setor de combustíveis.
O controlador da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, aparece há mais de uma década em investigações envolvendo dívidas tributárias bilionárias, disputas judiciais com o poder público e acusações de inadimplência fiscal reiterada. Ele nega irregularidades.
As autoridades classificam empresas ligadas a Magro como exemplos de “devedores contumazes” — expressão usada para companhias acusadas de sonegação recorrente. Com forte influência política, o empresário é considerado nos bastidores um dos principais articuladores no Congresso contra leis que endurecem o combate à sonegação, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
Histórico de suspeitas
No ano passado, Magro foi citado em etapas da Operação Carbono Oculto, que investiga o uso de fintechs, de empresas do mercado de capitais e até mesmo a presença do PCC no mercado de combustíveis.
Na ocasião, documentos oficiais mencionaram a Refit no fluxo comercial de companhias supostamente usadas pela facção.
A trajetória de Magro nos negócios e na política é longa. Além de possuir fácil trânsito especialmente entre autoridades do Rio de Janeiro, ele já foi advogado de Eduardo Cunha no período em que ele presidia a Câmara dos Deputados. Em 2016, Magro também foi alvo de uma operação conjunta entre PF e Ministério Público Federal (MPF) para investigar o desvio de recursos dos fundos de pensão da Petrobras e dos Correios.





