
Custos de produção elevados, taxas de juros nas alturas, endividamento maior e queda na subvenção do governo. O setor agropecuário se vê diante de um conjunto de fatores que levou as lavouras ao pior índice de cobertura por seguro dos últimos 19 anos. O cenário atualizado para 2026 prevê agravamento do quadro, com recuo de 3,9% na arrecadação.
O setor divulgou uma revisão de estimativas nesta semana. A queda expressiva de arrecadação nos primeiros meses deste ano decorre, segundo as seguradoras, do baixo orçamento federal destinado ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), mecanismo que subsidia parte do custo da apólice para o produtor.
— Isso ocorre justamente em safras que vemos o produtor mais apertado. No momento em que ele mais precisa estar protegido ele não tem suporte de subvenção para a compra de produtos que tem no mercado — argumenta Glaucio Toyama, presidente da comissão de seguro rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).
O Brasil chegou a ter cerca de 13,7 milhões de hectares da área plantada protegida por seguro rural. O índice recuou para pouco mais de 3 milhões em 2025, o que representa 3,3% do total de área plantada do Brasil.
O presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Dyogo Oliveira, alerta que a redução de apólices também leva ao aumento do risco médio da carteira, pressionando o preço do seguro e desestimulando novas contratações e a entrada de seguradoras no mercado.
Riscos climáticos
A queda na proteção ocorre em um momento de aumento dos riscos climáticos para o agronegócio. De acordo com levantamento citado pela CNseg, o Brasil registra perdas médias de cerca de R$ 60 bilhões por ano em eventos climáticos, sendo o Rio Grande do Sul um dos Estados mais castigados nos últimos anos.
Além da garantia de orçamento estável para o PSR, o setor defende a criação de um fundo de estabilização do seguro rural, que permitiria compensar anos de alta sinistralidade e reduzir a volatilidade dos prêmios.
Segundo Oliveira, o fortalecimento do seguro rural é estratégico diante da mudança no modelo de financiamento do agronegócio brasileiro, cada vez mais baseado em capital privado.




