
Uma articulação de última hora liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em conjunto com parlamentares da base governista, alterou a composição da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado e poderá ser decisiva para derrotar o relatório apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
As mudanças ocorreram às vésperas da votação do parecer, nesta terça-feira (14), e incluíram substituições estratégicas de membros com direito a voto. Entre as alterações, chamou atenção a retirada dos senadores Sérgio Moro (PL-PR), Marcos do Val (Avante-ES) e Jorge Kajuru (PSB-GO) da condição de titulares da comissão. Eles eram considerados alinhados ao relator.
Em seus lugares, foram designados os senadores Beto Faro (PT-PA), Tereza Leitão (PT-PE) e Soraya Thronicke (PSB-MS), nomes próximos à base do governo.
Ainda houve a inclusão de parlamentares que até então atuavam como suplentes com direito a voto na sessão decisiva. A manobra ampliou a margem contrária ao relatório e pode consolidar a rejeição do texto.
O parecer de Vieira propõe o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O relatório gerou forte reação entre integrantes do Judiciário e de setores políticos, que questionaram a competência da comissão para avançar sobre as autoridades.
Desde a apresentação preliminar, o relatório enfrentava resistência dentro da própria CPI, sobretudo entre senadores governistas e aliados do Planalto. Nos bastidores, a avaliação é de que o texto pode aprofundar tensões institucionais.

