
Após a derrota histórica com a rejeição de seu escolhido para o Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Lula sinaliza a aliados que agirá com cautela contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), principal articulador do resultado contra Jorge Messias. Até então, o senador era considerado um aliado pelo Planalto – com séria reserva por sua atuação dúbia.
Nas primeiras horas após o resultado ser proclamado, Lula não escondeu a indignação. Aliados falavam em rompimento imediato com Alcolumbre. Nesta quinta-feira (30), no entanto, a sinalização é de que a resposta virá aos poucos. O chefe do Executivo irá avaliar se ainda é possível estabelecer uma ponte com o Senado e viabilizar a aprovação de um novo nome para o STF.
O cenário de hoje é amplamente desfavorável a Lula. Alcolumbre mostrou ter controle de boa parte do plenário – inclusive prevendo quase com precisão o resultado final da votação secreta de Messias. A poucos meses das eleições, Lula não tem condições de ampliar sua base. Pelo contrário. Se as pesquisas de intenção de votos continuarem no mesmo ritmo, a tendência é que o apoio aos poucos comece a minguar.
Se decidir mudar o perfil do indicado, optando por uma mulher de perfil técnico ou por um jurista com trânsito político e boa relação no Senado, Lula poderá ter mais chances de aprovar um nome antes das eleições. Para isso, o presidente teria de admitir que não tem o tamanho institucional que imaginava dentro do Congresso e aceitar uma escolha que não represente apenas sua cota pessoal.




