
A CPI do Crime Organizado pouco avançou em relação às investigações da Polícia Federal (PF) e às revelações da imprensa sobre o Banco Master. A dificuldade se deu em grande parte pela blindagem realizada por integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), que anularam atos da comissão e limitaram acesso a dados sigilosos.
Mesmo sem produzir um acervo robusto de provas, o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), decidiu indiciar três ministros do STF e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Caso seja aprovado, o relatório poderá ser o início de uma tentativa de responsabilização criminal dentro do próprio Senado.
A decisão, no entanto, dependerá diretamente do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), a quem cabe dar andamento a processos de afastamento por crime de responsabilidade. Até hoje, Alcolumbre resistiu a este tipo de iniciativa – já apresentada contra diversos integrantes do STF em outras ocasiões.
O relatório também servirá para pressionar a Corte perante a opinião pública e servirá de base para a campanha eleitoral – já marcada por fortes críticas ao STF.
A CPI do Crime Organizado foi criada inicialmente para investigar grandes facções, no calor de iniciativas contra o Comando Vermelho e o PCC. Com o avanço das revelações sobre a fraude liderada por Daniel Vorcaro e a dificuldade de criar uma comissão específica sobre o Master, os rumos da CPI mudaram completamente.
Apesar de trazer um histórico sobre a atuação das facções no país, o foco do relatório final é o indiciamento de Gonet e dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes.
Vieira sustenta que Moraes e Toffoli agiram "de modo incompatível" com a honra, a dignidade e o decoro de suas funções devido à relação mantida com o Banco Master. No caso de Gilmar, cita a suspensão de quebras de sigilo da CPI como forma de proteger os colegas.
Em relação a Gonet, Vieira enxergou omissão diante de indícios considerados robustos contra autoridades do STF.



