
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, assegurou a dirigentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que a Polícia Federal (PF) vai manter o ritmo de investigações sobre o Banco Master mesmo que autoridades do alto escalão da República sejam implicadas.
Em encontro realizado na segunda-feira (09), Fachin disse que "nada será jogado para debaixo do tapete", mandou recados à Procuradoria-Geral da República (PGR) e manifestou compromisso pessoal de garantir uma condução ética da Corte.
A reunião foi marcada para discutir um conjunto de propostas do Conselho Federal da OAB (CFOAB) e dos dirigentes das 27 seccionais da entidade, que inclui o fim do inquérito das fake news e a adoção de um código de conduta pelo STF.
No entanto, diante dos recentes indícios de ligação dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes nos negócios de Daniel Vorcaro, a pauta do encontro foi ampliada.
Ainda que tenha mantido a discrição que marca sua conduta como ministro, Fachin fez um discurso duro sobre o caso Master. Filho de agricultores humildes e aluno de universidade pública, disse aos advogados que se sente na obrigação de devolver ao país o investimento que recebeu e que sua prioridade ao sair de casa todos os dias é ter a consciência limpa ao se ver no espelho.
Em meio aos ruídos que o caso Master gera na relação institucional, Fachin também afirmou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) não serve para acusar indevidamente, mas também não pode se omitir diante de casos graves.
A fala foi lida pelos advogados como um recado claro ao procurador-geral, Paulo Gonet, cuja demora na análise de prisões preventivas da operação Compliance Zero já havia sido criticada pelo relator do caso no STF, André Mendonça.
Banco Master
Um dos escolhidos para falar em nome dos advogados durante o encontro, o presidente da OAB/RS, Leonardo Lamachia, fez uma das falas mais contundentes sobre o STF, ,e reforçou a necessidade de uma investigação transparente sobre o eventual envolvimento de Toffoli e Moraes com Vorcaro.
— Nunca houve uma investigação desta natureza (contra ministros do STF) porque nunca houve um escândalo desta natureza. Nunca tivemos o STF no epicentro de um escândalo como é o caso do Banco Master. Por isso, eu digo que é a maior crise desde a redemocratização — afirmou Lamachia.
A investigação, acrescentou o dirigente, não deve ser vista como um ataque ao STF, e sim como uma forma de preservar a instituição de atos individuais que podem manchar a imagem de toda a Suprema Corte.










