
Além de reduzir o preço do diesel nas bombas, as medidas anunciadas pelo presidente Lula nesta quinta-feira (12) buscam evitar os efeitos diretos em sua campanha à reeleição. Apesar de a alta ser provocada por fatores alheios ao controle do Planalto, a leitura no governo é de que a manutenção de preços em patamar elevado se refletirá diretamente no humor dos eleitores em outubro.
Em 2022, o então presidente Jair Bolsonaro enfrentou o mesmo problema. Na ocasião, foi a invasão da Rússia à Ucrânia que fez a cotação do petróleo disparar. Bolsonaro comprou briga com governadores ao determinar a redução do ICMS. Lula não pretende adotar uma medida impositiva sobre algo de competência dos Estados, mas estimulou os governadores a repensarem as alíquotas de forma temporária.
No anúncio das ações à imprensa, Lula criticou aumentos abusivos e especulativos de combustível e frisou que a disparada do petróleo é "uma crise causada pela irresponsabilidade das guerras".
Pensando do ponto de vista eleitoral, portanto, a estratégia também passa por mostrar os efeitos para o mundo da iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - que é idolatrado pelo bolsonarismo.
Para evitar o impacto fiscal da renúncia de impostos e da subvenção anunciada para o diesel, o Planalto adotou uma medida que pode gerar polêmica e afetar diretamente a Petrobras. A taxação das exportações de petróleo bruto em 12% é uma forma de tornar o impacto neutro, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Mas há um objetivo estratégico de incentivar as refinarias brasileiras, que hoje têm capacidade ociosa, a ampliarem a oferta de combustível nacional.





