
O governo brasileiro avalia que a tensão no Oriente Médio deverá continuar em alta nos próximos dias, como consequência do ataque realizado pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Diante das retaliações e temor de uma escalada militar mais ampla na região, as autoridades devem reforçar o apelo por diálogo e a necessidade de mediação pela Organização das Nações Unidas (ONU), embora haja pouca perspectiva de uma mediação diplomática efetiva.
Nesta segunda-feira (2), o presidente Lula dará sequência a consultas com auxiliares da área diplomática para se atualizar sobre o quadro internacional e avaliar os próximos passos da política externa brasileira. O governo está pressionado politicamente a dar declarações mais duras contra o regime extremista dos aiatolás, mas a tendência é manter a cautela.
Uma das consequências práticas do agravamento da situação deve ser o adiamento da visita oficial que estava sendo planejada do presidente Lula à Casa Branca, nos Estados Unidos. A reunião bilateral com o presidente norte-americano, Donald Trump, estava prevista para a segunda quinzena de março, mas agora não tem data definida. O Brasil deseja realizar o encontro o quanto antes, mas terá de aguardar a disposição dos Estados Unidos diante da crise.
Ataque ao Irã
Proteção dos brasileiros
No último sábado, o Ministério das Relações Exteriores expressou, em nota, “profunda preocupação” com as ações militares e defendeu que o diálogo e a negociação diplomática representam o único caminho viável para a superação das divergências e a construção de uma solução duradoura para a crise no Oriente Médio. O texto também apelou para que todas as partes respeitem o direito internacional e exerçam máxima contenção, a fim de evitar uma escalada ainda maior das hostilidades.
Outro foco da diplomacia brasileira diante da crise é a proteção de cidadãos brasileiros que residem ou estejam temporariamente no exterior, especialmente em áreas afetadas pelo conflito. O governo já intensificou o monitoramento da situação e trabalha com a possibilidade de prestar assistência consular e apoio emergencial a brasileiros que venham a necessitar de ajuda. Essa, segundo diplomatas, é uma prioridade no momento, a exemplo da postura adotada pelo país em outros conflitos recentes.












