
Apesar do aval de lideranças do PT à reestruturação de carreiras de servidores da Câmara e do Senado, o presidente Lula deve impor um veto parcial às mudanças, proibindo as regras que abrem caminho para salários acima do teto constitucional do funcionalismo público, de R$ 46,3 mil. A forte repercussão negativa sobre o tema gerou um alerta no Planalto, que busca se distanciar de pautas impopulares no ano eleitoral.
A decisão é delicada porque uma das prioridades de Lula neste começo de ano é se reaproximar do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e de outras lideranças da Casa. O veto, mesmo que parcial, iria na contramão de um acordo que foi firmado inclusive com parlamentares governistas.
A avaliação majoritária no entorno de Lula, no entanto, é de que o petista não pode criar desgastes com a população para atender a um pequeno grupo de servidores.
Os projetos aprovados pela Câmara e pelo Senado estabelecem reajuste a todos os servidores, mas os penduricalhos e a as folgas remuneradas que podem inflar salários acima do teto se limitam a pouco mais de 70 funcionários que ocupam cargos de chefia. Por isso, impor um veto parcial daria ao governo condições de manter o discurso contra os supersalários e, ao mesmo tempo, causar interferência menor em questões internas do Congresso.
O presidente também tem sido orientado a levar em conta que o próprio governo enviou um projeto que corta benefícios para proibir salários acima do teto. A proposta está parada no Congresso, e faz parte do pacote de revisão de gastos elaborado pela equipe do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.





