
A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (11) adiciona mais um obstáculo à construção de uma terceira via na disputa presidencial e reforça a percepção de que Jair Bolsonaro segue exercendo influência decisiva sobre o futuro da direita.
Ao apontar o senador Flávio Bolsonaro apenas cinco pontos percentuais atrás do presidente Lula em um cenário de segundo turno, o levantamento chancela a aposta do ex-presidente no filho e enfraquece, ao menos por ora, alternativas fora desse eixo.
A oito meses das eleições, é natural que nomes ou sobrenomes mais conhecidos apresentem desempenho superior nas pesquisas. Ainda assim, havia entre lideranças da direita e do centro a expectativa de que governadores que manifestaram intenção de concorrer ao Planalto conseguissem, neste momento, índices mais expressivos de intenção de voto.
É preciso considerar, contudo, que o foco das lideranças partidárias está menos na construção de um projeto presidencial competitivo e mais no fortalecimento das próprias bancadas no Congresso. O peso do orçamento bilionário das emendas parlamentares transformou deputados e senadores em atores centrais do jogo político, deslocando a prioridade para a disputa legislativa.
Até o início de abril, prazo-limite para a desincompatibilização de cargos, uma sequência de pesquisas deverá testar a resistência da polarização entre Lula e Bolsonaro.
Se os próximos levantamentos mantiverem a mesma tendência observada pela Quaest, a chamada terceira via tende a perder ainda mais espaço, e o sistema político caminhará para uma acomodação pragmática: de um lado, a reeleição de Lula; do outro, a consolidação de Flávio Bolsonaro como herdeiro natural do capital eleitoral do bolsonarismo.
A Quaest entrevistou 2.004 brasileiros de 16 anos ou mais entre os dias 5 e 9 de fevereiro. A margem de erro é de dois pontos porcentuais e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00249/2026.





