
Além dos tapetes vermelhos e da pompa habitual, as cerimônias de reabertura dos trabalhos do Judiciário e do Legislativo, nesta segunda-feira (02), ocorrem sob a sombra do escândalo envolvendo o caso Master e de outros temas que, há tempos, vêm tensionando a relação entre os Poderes.
Mesmo durante o recesso, se acumularam revelações sobre a dimensão da fraude financeira — que pode gerar prejuízo superior a R$ 50 bilhões — e sobre as conexões políticas do banqueiro Daniel Vorcaro.
As investigações ainda estão em estágio inicial, mas já está claro que o esquema só prosperou porque contou com a ajuda direta de pessoas influentes. E os esforços por discrição liderados pelo ministro Dias Toffoli, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), produziram até agora o efeito inverso ao desejado.
A retomada dos trabalhos no Congresso tende a elevar a pressão política sobre o STF, colocando à prova os limites da autoproteção entre as lideranças dos Poderes.
O primeiro teste deve ocorrer já nesta semana, com a convocação de Vorcaro para depor à CPI do INSS. A iniciativa partiu de integrantes da comissão como estratégia para que ele seja ouvido publicamente sobre o caso Master, mesmo que não avance a criação de uma CPI específica sobre o tema.
As fortes suspeitas de conflito de interesse de Toffoli são combustível para deputados e senadores que há tempo buscam motivo para turbinar ações contra a Suprema Corte. O avanço de pedidos de impeachment contra ministros é considerado improvável - ao menos neste momento. Mas projetos que coloquem freio no Judiciário, como a limitação de decisões monocráticas, podem ganhar ganhar tração.
Em ano eleitoral, cresce ainda mais a disposição dos parlamentares para explorar politicamente temas sensíveis que possam garantir a narrativa de "vitória". Mas, diante da multiplicidade de conexões de Vorcaro, ainda é difícil prever quem sairá mais desgastado com a exposição dos bastidores e dos segredos que cercam o escândalo.



