
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, acumulou uma extensa lista de inimigos ao barrar a venda do Master ao BRB (Banco de Brasília) e determinar a liquidação do negócio comandado por Daniel Vorcaro. Em tese, a iniciativa deveria render apoio irrestrito do Planalto, mas o que se vê até agora são sinais contraditórios no entorno do presidente Lula.
Nesta terça-feira (03), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu Galípolo publicamente. Disse, em entrevista à Rádio BandNews, que ele “herdou um abacaxi” ao assumir o comando do BC, em janeiro do ano passado, e que adotou as medidas necessárias para enfrentar uma “crise já instalada”. Haddad foi o principal fiador da escolha de Galípolo para o cargo.
Nos bastidores, porém, a atuação de ministros e parlamentares aliados ao governo frequentemente segue na direção oposta. Na tentativa de blindar o alto escalão da política, há um esforço concentrado para evitar a exposição das relações que Vorcaro construiu em Brasília.
Ao tornar pública a dimensão da crise e o prejuízo bilionário do negócio, o BC passou a enfrentar uma forte mobilização política envolvendo setores do Tribunal de Contas da União (TCU), membros da base governista e também da oposição no Congresso.
Multiplicam-se agora iniciativas para “entender” os caminhos que permitiram uma fraude de tamanha magnitude. A dúvida é se essa movimentação busca, de fato, esclarecer os fatos ou apenas acobertar os verdadeiros beneficiários da maior fraude financeira já revelada na história do país.





