
A liquidação do Will Bank vai impor um prejuízo de ao menos R$ 6,5 bilhões ao sistema financeiro. Esse é o montante que a instituição tinha em depósitos a prazo, incluídos aí os CDBs (Certificados de Depósito Bancário), segundo o último levantamento do Banco Central (BC), que anunciou nesta quarta-feira (21) a liquidação da fintech ligada ao Banco Master. Elegíveis à cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), os investimentos de até R$ 250 mil deverão ser devolvidos. A pergunta que se impõe é: quem pagará essa conta?
Em tese, o prejuízo recai sobre os bancos, que financiam o fundo privado como mecanismo de proteção aos poupadores e investidores. O rombo provocado pela fraude comandada pelo banqueiro Daniel Vorcaro já supera R$ 40 bilhões — cerca de um terço dos recursos líquidos do FGC. Mas alguém duvida de que, em algum momento, essa perda será socializada?
Diferentemente do caso da fraude no INSS, o dinheiro para ressarcir os investidores lesados não sairá diretamente dos cofres do Tesouro. Ainda assim, as consequências alcançarão inclusive quem não mantém conta ou qualquer relação direta com as instituições investigadas.
A recomposição do FGC exigirá contribuições maiores, deverá aumentar a cautela na captação de recursos e tende a encarecer o crédito. Ou seja, não basta aos brasileiros conviver com uma das taxas de juros mais altas do mundo. Agora, terão também de arcar, de forma indireta, com os excessos e os luxos dos responsáveis por mais um calote bilionário.





