
O presidente Lula se envolve pessoalmente na operação política que tenta evitar novos reveses no Senado. A prioridade da semana será reduzir a temperatura política em torno da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal e da tramitação do chamado PL Antifacção, que ganhou contornos mais delicados após sofrer mudanças na Câmara por um adversário político do governo, o deputado Guilherme Derrite (PP-SP).
A nota divulgada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, no final de semana escancarou o pior momento na relação com o Planalto. Apesar da irritação de Lula com a postura, a reação até o momento foi na defensiva. A ideia é desarmar crises, não criar novas.
Nos bastidores, líderes governistas admitem que o ambiente no Senado é desfavorável à aprovação de Messias, justamente pelo empenho de Alcolumbre em barrá-lo. Lula não cogita recuar na indicação, mas está disposto a buscar conciliação com Alcolumbre e pode até mesmo propor uma conversa presencial entre eles.
PL Antifacção
O governo também observa com preocupação os rumos do PL Antifacção. A proposta endurece penas e amplia instrumentos de combate ao crime organizado, tema sempre sensível para a base do governo.
O problema não é apenas o conteúdo: é quem conduz o processo. A escolha de Derrite — ex-secretário de Segurança de São Paulo e um dos principais aliados do governador Tarcísio de Freitas — para relatar o projeto na Câmara incomodou o Planalto.
A expectativa do governo é de reverter parte da proposta original durante a tramitação no Senado. A interlocução com o relator, Alessandro Vieira (MDB-SE), é considerada boa, mas lideranças da base já identificaram a intenção de Alcolumbre em utilizar o texto com moeda de troca.
Lula, que sempre demonstrou habilidade para costurar acordos em crises, terá de decidir até onde está disposto a ceder e quando deve agir pessoalmente. E o presidente do Senado, que possui amplo controle da Casa, parece inclinado a testar limites.






