
Um acordo costurado entre lideranças do Senado deve viabilizar a aprovação nesta quarta-feira (17) do projeto que reduz penas do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros condenados por tentativa de golpe de Estado. Parlamentares ligados ao governo identificaram que o movimento é irreversível e decidiram voltar as energias a outro projeto: o pacote econômico que pode garantir até R$ 30 bilhões no orçamento de 2026.
Nos bastidores, deputados e senadores admitem que politicamente o avanço do projeto não é de todo ruim para o governo. Além de fortalecer o discurso de que o Congresso tentou anistiar criminosos, Lula poderá manter viva a chama da polarização que lhe favorece eleitoralmente.
Em frente às câmeras, a base governista continuará com críticas contundentes ao projeto. Mas, na verdadeira articulação de gabinetes, o tema já foi deixado de lado. A prioridade absoluta é garantir a chancela do Senado ainda nesta semana sobre a redução de benefícios fiscais e o aumento de impostos aprovados pela Câmara na última terça (16).
Tramitação na CCJ
No início das discussões na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), todos os requerimentos da base governista foram derrotados. Também prevaleceu a tese do relator, Espiridião Amin (PP-SC), de que a emenda anexada ao texto fechando brechas para beneficiar outros crimes é apenas um ajuste de redação, o que na prática é uma forma de evitar nova apreciação pela Câmara.
Além da tendência de aprovação na CCJ, o acordo é viabilizar o avanço da pauta em plenário ainda nesta quarta. Com o processo concluído, o projeto será submetido à sanção do presidente Lula, que deverá impor vetos. A análise do Congresso para derrubar a eventual vedação ocorrerá somente no ano que vem. Até lá, governo e oposição terão motivos para continuar inflando a militância em torno do tema.






