
A advogada e servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, alvo de operação da Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (12), atuou na linha de frente dos repasses de emendas do orçamento secreto - sistema criado sob comando do deputado Arthur Lira (PP-AL) no período em que ele foi presidente da Câmara. Conhecida como Tuca, ela é considerada uma assessora experiente que atua com plenos poderes conferidos por Lira e outros integrantes do centrão.
A partir de 2021, quando assumiu o primeiro mandato como presidente da Câmara, Lira liderou a criação de um novo sistema de emendas com pouca transparência que serviu para beneficiar aliados políticos. Os repasses, feitos por meio de comissões do Congresso, ficaram conhecidos como orçamento secreto. Tuca coordenava o mecanismo e tinha autoridade para tratar diretamente com deputados, prefeitos e outros beneficiados.
Com a apreensão de documentos e do celular da assessora, a PF espera avançar sobre uma série de investigações já em aberto que mostram indícios de pagamento de propina e de desvios das emendas em vários Estados, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.
Tuca foi conselheira fiscal da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) até 2023, período em que a estatal foi amplamente beneficiada com emendas do "orçamento secreto". Agora, com o cargo de assessora da liderança do Partido Progressista, seguia despachando em uma sala da presidência da Câmara na área de liberação de recursos.
Nos bastidores, a operação da PF é vista com potencial de revelação de irregularidades envolvendo emendas não apenas de Lira, mas de um amplo grupo de parlamentares.





