
Preso nesta quinta-feira (13) pela Polícia Federal (PF), o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto foi uma escolha pessoal do então ministro da Previdência, Carlos Lupi. Em abril deste ano, logo após a primeira fase da Operação Sem Desconto, Lupi afirmou publicamente que a nomeação era de sua “inteira responsabilidade” e que o servidor apresentava “demonstração exemplar” no trabalho.
Sete meses depois, investigações complementares da Controladoria-Geral da União (CGU) e da própria PF apontaram o envolvimento direto de Stefanutto em um esquema que beneficiava entidades associativas com descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas.
Desde que deixou o ministério, Lupi retomou a presidência nacional do PDT e tem afirmado em entrevistas que não teve qualquer relação com as fraudes. As apurações, contudo, ainda não esclareceram se houve responsabilidade do ex-ministro sobre o descontrole nos descontos aplicados aos beneficiários.
Na primeira etapa da operação, em abril, cinco servidores foram afastados junto com Stefanutto — entre eles o então procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, e o diretor de benefícios e relacionamento com o cidadão, Vanderlei Barbosa.
No início da crise, Lupi resistiu às pressões para afastar Stefanutto, defendendo sua permanência até a conclusão das investigações. Também tentou se manter no cargo, mas acabou pedindo demissão duas semanas depois, ao reconhecer que sua continuidade se tornara politicamente inviável.
Mesmo fora do governo, Lupi conseguiu manter influência sobre a pasta. Seu ex-secretário-executivo, Wolney Queiroz, é o atual titular do Ministério da Previdência.





