
A conversa entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ocorreu de maneira amistosa e não citou o ex-presidente Jair Bolsonaro, segundo apurou a coluna. Além de pedir a revisão do tarifaço, Lula apelou para o fim das sanções contra autoridades brasileiras, mas não citou ninguém nominalmente durante a ligação entre os dois nesta segunda-feira (6).
Em julho, o presidente norte-americano anunciou tarifa adicional de 50% para produtos brasileiros. Na ocasião, Trump publicou na sua rede social — Truth Social — carta endereçada ao presidente Lula onde mencionou uma "caça às bruxas" contra Jair Bolsonaro, que a maneira como o Brasil tratou o ex-presidente é "uma desgraça internacional."
O contato ocorreu por telefone, não por videoconferência, como se divulgou inicialmente. Combinada nos últimos dias entre a diplomacia dos dois países, a ligação partiu da Casa Branca.
Ao longo dos 30 minutos de conversa e com a ajuda de tradutores, somente Lula e Trump falaram, segundo uma fonte que ouviu toda a conversa.
O governo brasileiro via com desconfiança a disposição de Trump ao diálogo, mas após a ligação o resultado foi considerado "extremamente positivo".
Lula destacou os dados da balança comercial com os Estados Unidos, enfatizando que o Brasil é um dos poucos membros do G-20 que compra mais do que vende para os americanos.
Ao falar sobre as sanções às autoridades brasileiras, Lula não mencionou em momento algum o julgamento de Bolsonaro e evitou comentários individuais sobre cassação de passaportes ou a aplicação da Lei Magnitsky.
A coluna ainda apurou que a proposta de encontro presencial foi feita por Lula, e prontamente aceita por Trump. O local e a data ainda não estão definidos, mas o presidente brasileiro se dispôs a ir aos Estados Unidos e reforçou o convite para Trump vir à COP30, em Belém.


