
A confirmação do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) como ministro da Secretaria-Geral da Presidência é mais um passo na estratégia eleitoral do presidente Lula, que delegou ao líder do PSOL a missão de estreitar a relação com movimentos sociais e exaltar bandeiras que serão parte da campanha eleitoral de 2026.
Mais do que nunca, Lula quer mostrar o que já fez pela população mais pobre e se comprometer com novas políticas que garantam a confiança dos eleitores para seu quarto mandato.
A decisão de colocar Boulos na cúpula do governo, despachando de dentro do Palácio do Planalto, já havia sido tomada há meses.
Lula precisou antes discutir as consequências de tirar do pleito do ano que vem o principal nome do PSOL, que fez mais de 1 milhão de votos e liderou o ranking de deputados por São Paulo em 2022.
A conclusão entre os partidos de esquerda foi de que a entrada de Boulos no governo era necessária para um objetivo maior. No caso, a tentativa de reeleição de Lula.
Apesar de discreto, o trabalho de Márcio Macêdo (PT-SE) não desagradava a Lula totalmente. A cúpula do governo reconhecia sua capacidade de aglutinar os movimentos sociais.
A ideia de levar Boulos não mira apenas sindicatos e outras entidades já alinhadas ao governo, e, sim, a defesa enfática de pautas que "falem com o povo", como disse à coluna um auxiliar de Lula.
Além de programas com forte apelo social, como isenção do Imposto de Renda, incentivo a habitações populares e pagamento de bolsa a alunos de baixa renda, Boulos terá na lista de prioridades o compromisso de defender pautas que Lula quer abraçar no ano que vem, como a gratuidade do transporte público e o fim da jornada 6x1.
A menos de um ano das eleições, Boulos chega ao Planalto para fazer uma das coisas que sabe de melhor: o discurso de "nós contra eles" e o combate ao "andar de cima".





