
O quinto dia de julgamento da ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete réus acusados de golpe de Estado evidenciou o isolamento do ministro Luiz Fux diante dos demais integrantes da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Na sessão anterior, em que o ministro levou 13 horas para proferir um voto de divergência, ele exigiu não ser interrompido.
Ao tomar a palavra para ler o seu voto, a ministra Cármen Lúcia logo recebeu um pedido de aparte de Flávio Dino (veja o vídeo abaixo).
— Vossa Excelência me concede um aparte? — disse Dino.
— Todos — respondeu de pronto, provocando risos entre os presentes.
Cabisbaixo e com olhos fixos em papéis, Fux teve reação discreta, enquanto outros descontraíam.
Logo depois, foi a vez do ministro relator, Alexandre de Moraes, interromper a ministra para um aparte.
— Será mais longo, mas não se preocupe porque será o único — disse, em referência à fala de Dino.
— Não se preocupe, tenho muito gosto de lhe ouvir sempre — respondeu a ministra.
Ficou evidente que Cármen Lúcia acrescentou trechos ao seu voto para responder a declarações feitas por Fux que causaram desconforto entre a maioria dos integrantes do STF.
De forma discreta, a ministra afirmou que não cabe retomar na Turma debates já vencidos em plenário, como o foro adequado para julgamento da ação. Também direcionou uma série de recados sobre incoerências no voto de Fux com decisões que o próprio ministro já tomou à frente da Corte.



