
Punir parlamentares que ocuparam o plenário da Câmara e obstruíram os trabalhos virou uma questão de honra para o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que experimenta um período de especial enfraquecimento perante os pares. Interlocutores consideram improvável, no entanto, a suspensão de mandatos dos 14 parlamentares que são alvos de queixa na corregedoria.
A aposta entre aliados de Motta é de que haverá ambiente para uma "sanção educativa", resultando na suspensão de um número bem reduzido de deputados. Outros envolvidos podem ficar sujeitos a advertências mais leves.
O presidente da Câmara ampliou a frequência de aconselhamentos com lideranças experientes, dentro e fora de seu partido, nos últimos dias. Ouviu que precisa mostrar mais autoridade, mas que isso não significa punir imediatamente todos os parlamentares que participaram do ato da semana passada.
O conselho leva em conta o pano de fundo da manifestação. As pautas defendidas pelos parlamentares amotinados têm grande apelo entre os deputados. Não há consenso sobre uma anistia geral e irrestrita aos envolvidos no 8 de janeiro e no planejamento de golpe de Estado, mas grande parte dos deputados vê exagero nas penas impostas a manifestantes.
No caso da prerrogativa de foro, o apoio à revisão da norma é ainda maior. Tanto que o tema poderá ser pautado por Motta nesta semana.
Além de tudo, há o componente político eleitoral. A imagem de censor de mandatos pode prejudicar os planos de Motta, tanto para renovar o mandato nas urnas quanto para uma futura candidatura à reeleição como presidente da Câmara. Os parlamentares que ficarão responsáveis por analisar as punições no Conselho de Ética também vão medir o impacto das decisões em seus domicílios eleitorais.
Todo este contexto aponta para uma análise cautelosa sobre o caso, em que Motta pesará as consequências para a sustentabilidade de sua posição. Como sempre, parlamentares de partidos menores e os que possuem menos projeção dentro de suas bancadas estarão mais vulneráveis a punições severas.
Quem são os parlamentares alvos de representação
- Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)
- Carlos Jordy (PL-RJ)
- Nikolas Ferreira (PL-MG)
- Zucco (PL-RS)
- Allan Garcês (PP-MA)
- Caroline de Toni (PL-SC)
- Marco Feliciano (PL-SP)
- Domingos Sávio (PL-MG)
- Marcel Van Hattem (Novo-RS)
- Zé Trovão (PL-SC)
- Bia Kicis (PL-DF)
- Paulo Bilynskyj (PL-SP)
- Marcos Pollon (PL-MS)
- Julia Zanatta (PL-SC)


