
Nunca antes neste mandato o presidente Lula demonstrou tanta confiança na possibilidade de reeleição. O tarifaço imposto por Donald Trump trouxe, até o momento, efeitos positivos para a avaliação do petista, conforme pesquisas públicas e levantamentos qualitativos realizados para consumo interno.
O novo slogan criado pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social e marqueteiro Sidônio Palmeira capta esse sentimento de defesa dos interesses nacionais e já projeta a campanha do próximo ano: “Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro”.
Se a promessa de uma frente ampla garantiu a vitória em 2022, com um início de governo guiado pelo mote “União e Reconstrução”, agora a cúpula do Planalto estrutura as bases para enfrentar forças de direita que se movem em direção ao centro, diante do enfraquecimento político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A mais de um ano da disputa presidencial, os efeitos do tarifaço dos Estados Unidos sobre a decisão dos eleitores ainda são incertos. Mas o discurso de Lula na reunião ministerial desta terça-feira (26) deixou claro que essa estratégia também orientará as ações do governo daqui em diante.
Sabendo que o início da reunião seria transmitido, Lula e os ministros usaram bonés azuis com a frase: “O Brasil é dos brasileiros”. O acessório, adotado desde a campanha que elegeu Trump, contrapõe o boné vermelho com o slogan “Make America Great Again”.
A reunião ministerial, que deveria ser reservada ao alinhamento das ações federais, teve sua abertura utilizada pelo presidente para reforçar o discurso de soberania adotado após o tarifaço. Lula quer que os ministros disseminem essa mensagem.
— Somos um país soberano, temos uma Constituição, temos uma legislação. Quem quiser entrar nesses 8,5 milhões de quilômetros quadrados, no nosso espaço aéreo, no nosso espaço marítimo, nas nossas florestas, tem que prestar contas à nossa Constituição e à nossa legislação — sustentou.
A ideia de estar “ao lado do povo brasileiro” também será comunicada em outras frentes prioritárias do governo e da campanha eleitoral.
O tarifaço arrefeceu o discurso “nós contra eles”, que colocava o Congresso como inimigo do povo. No entanto, com o avanço das articulações e a tendência de os partidos do centrão se consolidarem como adversários nas urnas, Lula deve retomar a disputa de narrativas em breve.
Essa tensão também deve se evidenciar na votação do projeto que isenta o Imposto de Renda (IR) para salários de até R$ 5 mil. A possibilidade de o Congresso excluir da proposta original os mecanismos de compensação arrecadatória gera apreensão na equipe econômica.
Por isso, ao primeiro sinal de inviabilidade do projeto do IR ou de outras medidas que limitem os investimentos públicos, o Planalto o Planalto não se furtará de fazer inflexão à esquerda e usar a defesa dos brasileiros como escudo.







