
A mudança inesperada no comando da CPMI do INSS, instalada nesta quarta-feira (20), é mais do que uma derrota para o governo Lula. O resultado demonstra o descontentamento de grande parte dos parlamentares com a condução do tema pelos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Evidencia ainda o enfraquecimento no poder de comando de ambos.
Até hoje, parlamentares governistas estavam satisfeitos com o acordo em torno da discussão. Além de ter adiado o início da CPMI, a articulação do Planalto havia garantido nomes alinhados aos presidentes das duas Casas na presidência e na relatoria.
Com o senador Omar Aziz (PSD-AM) e o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), a leitura entre os parlamentares era de uma condução moderada, com menos espaço para exploração política do tema.
Já as eleições do senador Carlos Viana (Podemos-MG) na presidência e do deputado bolsonarista Alfredo Gaspar (União-AL) como relator indicam que a oposição terá força para convocar quem quiser, além de liderar os debates durante a comissão.
Um dos requerimentos que deve ter prioridade, por exemplo, é a convocação de José Ferreira da Silva, o frei Chico. Irmão do presidente Lula, ele é dirigente de um dos sindicatos investigados por possível fraude com descontos indevidos de aposentados.
Além de gerar apreensão no governo, a mudança no comando da CPMI aumenta a pressão sobre Motta e Alcolumbre. O resultado tem relação direta com outros temas.
Nos bastidores, é cada vez maior a insatisfação de uma parcela relevante do Congresso em torno da condução de temas polêmicos, como a anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro e o fim da prerrogativa de foro. Por isso, o rompimento do acordo feito com lideranças partidárias para a CPMI deverá mexer no xadrez político e ter consequências bem além da comissão.


