
A sequência de manifestações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificando Jair Bolsonaro como um perseguido da justiça brasileira ampliou preocupações do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre um pedido de asilo do ex-presidente. A decisão desta sexta-feira (18), que impõe o uso de tornozeleira eletrônica e proíbe aproximação de embaixadas, vem justamente com a intenção de evitar a manobra.
Ainda não está claro se a Polícia Federal (PF) encontrou elementos concretos sobre um planejamento deste pedido de fuga, ou se age de forma preventiva. As autoridades já foram pegas de surpresa por outros investigados que deixaram o país e até agora conseguiram evitar eventuais punições. O caso da deputada Carla Zambelli (PL-SP) é o mais emblemático.
O ex-presidente está com o passaporte apreendido desde fevereiro do ano passado. Publicamente, ele negava nos últimos dias a possibilidade de pedir asilo ou tomar outra medida para fugir da Justiça.
No STF, sempre foi considerada improvável a prisão preventiva de Bolsonaro no curso do processo sobre tentativa de golpe de Estado. Os ministros entendem que, dado o peso político do ex-presidente, seria necessário cumprir todo o rito do julgamento e retirar dúvidas sobre a legalidade da medida.
Medidas cautelares antecipadas, como o uso de tornozeleira, também não estavam nos planos. O ambiente mudou a partir das manifestações de Trump, e qualquer descumprimento poderá provocar uma prisão antecipada.


