
Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deixaram claro nas manifestações desta quarta-feira (16) que consideram a taxação de Donald Trump um ataque ao Brasil, não ao governo Lula. Em um vídeo divulgado à imprensa, eles exaltaram a legitimidade do Planalto em liderar as negociações, garantiram apoio na retaguarda e condenaram tentativas externas de interferência nas instituições brasileiras.
Motta e Alcolumbre externam um sentimento que já era percebido nas conversas entre lideranças políticas, inclusive de ferrenhos opositores ao governo. Mesmo quem considera injusto o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) considera despropositada a postura de Trump.
Além do impacto econômico de um tarifaço que não possui qualquer justificativa técnica plausível, há o fantasma da interferência externa exercida décadas atrás.
Entre os aliados mais fieis, especialmente do PL, Bolsonaro ainda recebe amplo apoio em redes sociais e outras manifestações públicas. As tentativas de jogar a culpa em Lula, porém, são cada vez mais isoladas.
O presidente acertou em escalar o vice Geraldo Alckmin para coordenar a resposta federal. Ponderado, profundo conhecedor do sistema produtivo brasileiro e de relações exteriores, ele consegue estreitar relações com os principais setores da Economia com debate técnico, reduzindo o peso político dos debates.
Com o apoio do Congresso e do STF para enfrentar os ataques de Trump, Lula se fortalece politicamente. É cedo para avaliar se o episódio poderá reverter sua queda de popularidade ou até credenciá-lo para a reeleição. O certo é que garante a ele condições de governabilidade que se tornavam cada vez mais difíceis.
Se agir com responsabilidade e conseguir reverter mesmo que parcialmente a insana atitude de Trump, Lula poderá sair melhor do que entrou na crise, e ainda consolidar seu principal adversário político como culpado por colocar o Brasil como alvo preferencial do boicote americano.




