
O ex-ministro e ex-deputado Onyx Lorenzoni (PP-RS) afirmou, nesta quarta-feira (25), que as menções ao seu nome na investigação de fraudes no INSS são infundadas, e servem para criminalizar uma gestão que buscou evitar os descontos indevidos de aposentados.
O fato de ter recebido doação eleitoral de um dos dirigentes de associações sob investigação não tem "causa e efeito", segundo Onyx, porque não cabia a ele, enquanto titular do Ministério da Previdência e Trabalho do governo Jair Bolsonaro, autorizar novas entidades a operarem.
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que inquéritos da chamada “Operação Sem Desconto” sejam remetidos à Corte pela possível conexão entre investigados e pessoas com foro privilegiado. No caso, Onyx e o deputado federal Fausto Pinato (PP-SP).
A PF cita em um dos inquéritos a doação de R$ 60 mil feita por Felipe Macedo Gomes, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), à campanha de Onyx em 2022 ao governo do Rio Grande do Sul.
— O ministro da Previdência não tem influência nenhuma (na avaliação de entidades que buscam cooperação com o INSS). Ou seja, não tem relação de causa e efeito. Mais de 120 pessoas físicas doaram na minha campanha de governo em primeiro turno, eu não conheço nem 30 ou 40 — argumentou Onyx.
No período em que a entidade ingressou com pedido de cooperação técnica junto ao governo, Onyx era titular da pasta de Previdência. Ele sustenta, contudo, que já estava licenciado quando a autorização foi expedida, e que o processo é todo conduzido pelo INSS. A entidade é apontada como uma das principais envolvidas na fraude.
Além de negar qualquer relação com Felipe Macedo Gomes, Onyx argumenta que é descabida a relação feita pelos investigadores de suposto interesse escuso na mudança da área responsável pela fiscalização das entidades.
No início do governo Bolsonaro, o trabalho passou a ser realizado pelo Ministério da Justiça e Segurança, comandado pelo hoje senador Sergio Moro (União-PR).
— Nós colocamos a fiscalização com o Ministério da Justiça porque havia denúncia de entidades com problemas anteriormente. Tomamos várias medidas para evitar fraudes, mas algumas foram derrubadas pelo Congresso — reiterou.
De volta ao Brasil e agora filiado ao PP, Onyx pretende viajar a Brasília no mês que vem e garante que estará à disposição para falar à CPI mista do INSS, que será formada no Congresso. Afirma estar pronto também para esclarecer as citações ao seu nome na investigação, seja à PF ou ao STF.


