
Os cálculos sobre quanto o Brasil ganha com a alta do petróleo foram detalhados pela Instituição Fiscal Independente (IFI), apontada como "xerife das contas públicas". Mesmo no melhor cenário para a arrecadação – e pior para a inflação –, o país ainda teria déficit neste ano, conforme essas projeções.
Conforme a IFI, no cenário de "reversão" (retorno dos preços do barril ao patamar anterior), haveria melhora de R$ 34,3 bilhões no resultado primário do governo central ante a projeção anterior. Mas o resultado primário ainda seria negativo em R$ 56,3 bilhões (0,4% do PIB) no ano. Em caso de "persistência" (manutenção de preços altos até 2027), o ganho seria de R$ 74,5 bilhões, também ainda com déficit de R$ 16,1 bilhões (0,1% do PIB).
Feitas as contas, a entidade adverte que o efeito é temporário e vem acompanhado de outro: aumento da inflação. Lembra que a alta do petróleo eleva a arrecadação de tributos e de receitas associadas à exploração de petróleo no curto prazo, mas a alta de preços também afeta a despesa pública, tanto pela vinculação entre receitas e despesas quanto por provocar maior reajuste no salário mínimo, que afetaria benefícios previdenciários e assistenciais.
A IFI conclui afirmando que, dependendo do nível em que o preço do petróleo se estabilize, o resultado primário do governo central pode melhorar e até virar superávit no curto prazo. Mas adverte que há risco de redução no crescimento real da economia nos próximos anos, o que afetaria as condições de controle da relação entre a dívida e o PIB.




