
A decepção com o pronunciamento de Donald Trump sobre a guerra no Oriente Médio, depois de dois dias de apostas no fim do conflito deu o tom do mercado nesta quinta-feira (2). Ao longo do dia, porém, uma fresta de negociação sobre a passagem pelo Estreito de Ormuz reduziu as perdas, mas não o novo salto do petróleo, que às 17h tinha alta de 7,39%, para US$ 108,64. Voltou a se aproximar do nível de US$ 110 de antes da expectativa de encerramento dos ataques.
As bolsas de Nova York, que haviam começado o dia com fortes baixas, moderaram o pessimismo sem voltar ao otimismo dos dois dias anteriores. Fecharam com variações pouco acima ou pouco abaixo do zero. Isso ajudou a virar o sinal do Ibovespa nos últimos movimentos do dia. Depois de queda forte pela manhã e a maior parte do pregão no negativo, fechou quase igual ao dia anterior, em 0,05% positivo. Foi, curiosamente, o mesmo percentual de oscilação do dólar, que fechou em R$ 5,159, ainda abaixo de R$ 5,20.
A novidade que diluiu um pouco a aversão ao risco foi uma notícia distribuída pela agência estatal iraniana. Pelo relato, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, trabalha com Omã na elaboração de um protocolo para "monitorar o trânsito" pelo Estreito de Ormuz. As palavras de Gharibabadi citadas pela agência oficial acenderam uma pequena esperança:
— É claro que esses requisitos não significarão restrições, mas sim facilitar e garantir a passagem segura e oferecer melhores serviços às embarcações que transitam por essa rota.
A iniciativa ganhou algum crédito porque Omã tem, digamos, a "guarda compartilhada" da parte sul de Ormuz com os Emirados Árabes Unidos (Dubai e Abu Dhabi e mais cinco). Se é caro confiar no Irã, a essa altura o preço é quase o mesmo da palavra de Trump. Especialmente nesta quinta-feira.




