
Em análises sobre a inflação de março, que foi de 0,88%, acima da previsão do mercado, que era de 0,77%, apareceu a palavra "surpresa". Nem se fosse para a tripulação da Artemis II, que passou uma semana no espaço e está voltando à Terra nesta sexta-feira (10). Até o quarteto de astronautas já saiu sabendo que a guerra no Irã elevaria os preços.
Há diferença entre o dado oficial do IPCA vir acima do previsto e ser uma "surpresa". Embora seja uma atividade arriscada neste momento de incerteza sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, vários economistas estão refazendo as contas para o ano e incorporando o efeito da alta do petróleo nos preços – não só de combustíveis, mas de roupas a maquiagem, como a coluna já relatou.
Um dos que correram o risco de projetar o comportamento da inflação afetada pela guerra foi Oscar Frank, da assessoria econômica da CDL Porto Alegre. Nos seus cálculos, sem o conflito o IPCA fecharia 2026 em 3,88%, mas deve ir a 4,17% depois da disparada do petróleo sem perspectiva de volta ao patamar de US$ 60.
Analistas menos surpreendidos avaliam que, caso o impacto inflacionário da guerra se restringisse a esse, o Banco Central poderia manter o ciclo de baixa de juro, com um corte de 0,25% na reunião do dia 29. Difícil é saber o que vai sair das negociações entre Estados Unidos e Irã no Paquistão, nesta sexta-feira (10). Daí, sim, pode-se esperar surpresa.
Conforme o IBGE, a variação dos preços do grupo transportes mais do que duplicou em março, na comparação com fevereiro: foi de 0,74% para 1,64%. Só em três dos nove grupos em que a pesquisa divide os gastos houve redução: habitação, saúde e despesas pessoais e educação, que tem forte efeito em fevereiro por ser período de matrículas escolares.




