
Parece tardia a prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, diante do que já se sabia sobre sua atuação no processo de compra do Master, barrada pelo Banco Central (BC). As operações montadas e remontadas na época eram tão inconsistentes que deixaram um rombo no BRB grande o suficiente para ameaçar a continuidade das operações do banco estadual da capital da República. Além de Costa, também foi preso Daniel Monteiro, advogado que representava os interesses do Master nas negociações com o BRB. Conforme a Polícia Federal (PF), são investigados "crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa".
Esse caso é um dos mais graves nos quais Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, está envolvido, porque representa o sequestro do orçamento do Distrito Federal (DF). E ainda embute risco de pagamento de resgate pelo orçamento da União, porque a situação financeira do BRB está longe de ser resolvida. A atual governadora do DF, Celina Leão, havia reclamado, na quarta-feira (15), da "falta de vontade" do governo federal para "ajudar" a socorrer o banco.
Para lembrar, antes de a compra do banco de Vorcaro ser barrada, o BRB adquiriu o que deveria ser uma carteira de crédito (o que significaria direito de receber os pagamentos de clientes) do Master. O próprio BC detectou que não havia créditos reais nos registros apresentados pelo Master e apontou a fraude de R$ 12,2 bilhões. Esses valores foram efetivamente desembolsados pelo BRB entre janeiro e maio de 2025.
Depois, ficou claro que era uma manobra do Master para tentar sobreviver, porque já não se sustentava. Conforme a investigação, entre julho de 2024 e outubro de 2025, BRB e Master fizeram operações que chegaram a R$ 16,7 bilhões, mesmo existindo limite legal de exposição a um único cliente de R$ 1,1 bilhão.
O real tamanho do rombo no BRB provocado por essa relação ainda é incerto. O Banco de Brasília deveria ter publicado balanço das atividades de 2025 até 31 de março, mas adiou a publicação – sujeitando-se a multa de R$ 51 mil por dia de atraso – para não expor o volume real das perdas, o que poderia exigir "medida prudencial" do BC. Não se imagina uma liquidação extrajudicial de banco público, mas poderia ser adotado um Regime Administrativo Especial Temporária (Raet), que costuma ser a antessala de uma venda.
Ainda sob a gestão de Ibaneis Rocha – que renunciou ao cargo para se candidatar, em tese –, o DF aprovou um plano de capitalização do BRB de R$ 8,86 bilhões, por meio de emissão de ações e venda de imóveis públicos, mas não consegue aplicá-lo e busca ajuda federal. Uma das opções seria algum tipo de associação à Caixa Econômica Federal, que legaria as perdas por gestão fraudulenta em perdas para todos os brasileiros.





