
Na semana passada, o mercado capitulou ao impacto da guerra no Oriente Médio e elevou a previsão de Selic no final do ano de 12,5% para 13%. Nesta segunda-feira (27) que é véspera da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para definir a Selic, a projeção segue no mesmo lugar, embora a da inflação tenha subido para inimagináveis 4,86% no final deste ano. Antes dos ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, era de 3,91% – aumentou, portanto, quase um ponto percentual em dois meses.
Como no Brasil nada é simples, o Relatório Focus elaborado pelo Banco Central com estimativas de uma centena de economistas também trouxe outra mudança relevante: a projeção para o dólar no final do ano caiu de R$ 5,40, antes da guerra, para R$ 5,25. A proporção da queda é menor, mas é bom lembrar: câmbio em baixa significa menos pressão de preços no Brasil.
O cenário mudou de forma drástica em dois meses. Por isso, na reunião que começa na terça (28) e termina na quarta (29), tudo pode acontecer. A aposta predominante é de nova poda mínima, de 0,25 ponto percentual, para 14,5%, mas a única hipótese descartada é de alta no juro básico.
Um grupo minoritário ainda vê chance de corte de 0,5 ponto percentual, especialmente diante do cenário de alto endividamento de empresas e famílias no Brasil. E ainda há economistas que não se surpreenderão caso a Selic atual, de 14,75%, seja mantida Nesse caso, também pode acontecer nada.
Mas se a decisão é difícil de prever com precisão, há certo consenso sobre o tom do comunicado do Copom na quarta-feira (29). Diante do tamanho da incerteza econômica de uma crise do petróleo que afeta preço e abastecimento, não há dúvida de que será cautelosa. Pode pode vir em tom mais duro caso de fato ocorra o corte esperado de 0,25 ponto percentual. Nesse caso, o objetivo seria preservar a credibilidade do Banco Central diante da piora das expectativas de inflação.


