
Como a essa altura quase todos sabem, o petróleo ficou quase um mês acima de US$ 100 porque o Irã fechou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da movimentação global dessa matéria-prima. Na quarta-feira (8), navios começaram a passar e a cotação mergulhou até US$ 91. No entanto, sob o argumento de que o cessar-fogo negociado com Estados Unidos e Israel havia sido quebrado por ataques ao Líbano, a Guarda Revolucionária do Irã voltou a impedir a passagem de embarcações.
Nesta quinta-feira (9), os relatos são de que tráfego segue praticamente paralisado em Ormuz, com raras embarcações cruzando o estreito e grande acúmulo na costa oposta ao Irã, como mostra o gráfico acima, atualizado com frequência. Nas últimas 24 horas, passaram um navio-tanque e cinco graneleiros, segundo dados de agências especializadas como Kpler, Lloyd's List Intelligence e Signal Ocean.
Mesmo assim, a cotação do barril de brent, referência global, segue abaixo dos US$ 100. Por pouco, é verdade: às 10h desta quinta-feira, está em US$ 98. Ao menos por enquanto, o que está mantendo o preço ainda bem abaixo do patamar anterior ao anúncio de cessar-fogo é a expectativa de que seja encontrada uma solução para eliminar ao menos esse ponto de pressão do Irã, já que as estruturas de poder sobre o estreito seguem aparentemente incólumes.
Na quarta-feira (8), ainda com o cenário de abertura de Ormuz, a consultoria Rystad, especializada em petróleo e gás, havia reduzido sua projeção de preço médio do brent de US$ 97 para US$ 87 para 2026. Embora quase um mês acima de US$ 100 contagie qualquer estimativa de média, não havia expectativa de volta sequer ao patamar de US$ 70 anterior aos ataques. O preço está ainda abaixo de US$ 100, mas não se sabe por quanto tempo.


