
Se não havia caído com o aumento da travessia do Estreito de Ormuz, o preço do petróleo subiu logo depois do pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Se antes estava perto de US$ 110, poucos minutos depois do encerramento do discurso presidencial, foi para US$ 110,45. Mais uma vez, o mercado não ouviu o que esperava da fala de Trump. O senhor da guerra não deu nenhum sinal de que o conflito caminhe para o final. Tentou apenas vender o resgate de um militar que teve o caça derrubado pelo Irã como uma "humilhação" para o regime.
E ainda fez mais uma da série de ameaças que soam mais como desespero do que efetiva capacidade de cumpri-las. Disse que o Irã poderia ser "todo eliminado" em uma noite, e que isso poderia ocorrer "amanhã" (terça-feira). Nem nos sites de tradicionais jornais americanos Trump conseguiu substituir a manchete gerada pelo "inimigo". A negativa de cessar-fogo do Irã se mantém como a principal notícia do dia tanto no especializado em economia The Wall Street Journal quanto no de informação geral The New York Times.
O NYT mantém, desde o início da manhã, uma análise de contexto cujo título é "Trump mantém mundo em constante desequilíbrio com ameaças que sempre mudam". O discurso do início da tarde só ilustrou a tese.
Trump já foi capaz de derrubar a cotação do petróleo no grito. Depois, passou a ser cobrado por ações concretas. Até para o "mais poderoso do planeta", há um momento em que o verbo perde a força, como na fábula Pedro e o Lobo.
Na história, um jovem pastor de ovelhas grita "é o lobo, é o lobo". Pessoas vêm para ajudar a salvar seu rebanho, mas quando chegam, não há qualquer ameaça real. Isso se repete. Quando enfim o lobo aparece de verdade, o grito de Pedro já não atrai mais ajuda. Nesse sentido, pode-se dizer: Trump é uma fábula.



