
Depois de empilhar recordes em momentos de maior incerteza na guerra no Oriente Médio, o principal índice da bolsa de valores brasileira (B3), o Ibovespa, caiu 0,55%, para 195,7 mil pontos, justamente quando um dos pontos de tensão entre EUA e Irã parece ter ao menos algumas horas de alívio. Ocorreu nesta sexta-feira (17) o anúncio de que o trânsito de embarcações pelo Estreito de Ormuz está liberado depois de a passagem ter ficado fechada por cerca de sete semanas.
O petróleo despencou ao nível de US$ 90, e as bolsas ao redor do mundo pegaram o elevador para cima. Os principais índices de ações dos EUA subiram mais do que 1%, com o S&P 500, indicador mais abrangente da bolsa de Nova York, e Nasdaq, de empresas de tecnologia, renovando recordes. Similares europeus também fecharam em alta. O Ibovespa foi um dos poucos que apareceu com sinal negativo.
Assim como o petróleo nas alturas impulsionou a bolsa às máximas históricas, a queda do barril a fez murchar. Segundo Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart XP, empresas ligadas ao segmento petrolífero, como a Petrobras, têm peso de 18% no Ibovespa. Quando o preço do petróleo cai, essas ações se desvalorizam. E quando os títulos da estatal caem – cerca de 5% nesta sexta-feira –, puxam todo o índice para baixo.
— O Brasil tem posição favorável no conflito entre EUA e Irã, porque é exportador líquido de petróleo. Com reversão no preço dessa matéria-prima por conta do indicativo de trégua, a bolsa brasileira descolou das demais — avalia Sara.
Os indicadores globais de ações, diz a especialista, avançaram por conta da redução das incertezas na guerra no Oriente Médio, sobretudo em relação ao temor de que o conflito mantivesse os juros altos pelo mundo, se não os fizesse subir. O choque de petróleo pressiona os preços de combustíveis a produtos menos óbvios, como roupas, maquiagem e embalagens. E como se sabe, o remédio para inflação costuma ser taxa mais alta.
— As perspectivas de que os juros não devem voltar a aumentar foram muito positiva para as bolsas — afirma Sara.
Com otimismo dissipado para outros países, recursos estrangeiros que estavam desembarcado no Brasil com mais força, por conta da percepção de que o país poderia ganhar ao vender petróleo mais caro, rumaram a outros destinos. Isso também enfraqueceu o desempenho do Ibovespa.
*Colaborou João Pedro Cecchini






