
Depois do fracasso das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, o presidente americano, Donald Trump, surpreendeu muita gente ao avisar que, agora, é ele quem quer fechar o Estreito de Ormuz. Mas todo o problema não era manter essa passagem aberta? Era, mas é preciso lembrar de como se dá o "fechamento": não se trata de uma barreira física, mas de ameaça de ataque às embarcações.
Isso significa que os navios iranianos que levam petróleo à China e a outros países passam sem nenhum problema. O mesmo ocorre com embarcações de outras nações consideradas aliadas ou ao menos "amigas", sob o ponto de vista iraniano. Com o preço do barril em alta exatamente por causa do fechamento, o Irã está ganhando mais dinheiro do que recebia antes dos ataques.
É por isso que, agora, Trump quer bloquear o estreito para interromper o canal de financiamento à guerra que o Irã acabou desenvolvendo durante os ataques. Conforme estimativa da empresa de dados e análises Kpler, o país persa teria exportado uma média de 1,85 milhão de barris de petróleo bruto por dia em março, cerca de 100 mil barris por dia a mais do que nos três meses anteriores.
Além do ganho extra com preço e venda maior do que a de antes da guerra, o Irã está impondo aos poucos navios que atravessam um pedágio estimado em US$ 2 milhões cada um. Tudo isso ajuda o país a se financiar para a guerra, o que Trump agora quer evitar.
No entanto, é provável que o anúncio do presidente americano provoque nova subida no preço de mercado do barril do tipo brent, que é a referência internacional. A bolsa de Londres na qual são negociados os contratos para entrega futura abre às 22h, horário do Brasil.
Se nada passar por Ormuz, haverá menos disponibilidade de petróleo no mundo. E como prega a lei de mercado, quando há escassez, o preço sobe. Isso para não mencionar os riscos bélicos do bloqueio armado a Ormuz.

