
O cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos, Israel e Irã fez o petróleo despencar do patamar de US$ 110 para o de US$ 90. No final da manhã desta quarta-feira (8), o país persa alegou "violações de Israel ao cessar-fogo" e voltou a fechar o Estreito de Ormuz, o que levou o barril do tipo brent, referência de mercado, para perto de US$ 95, ainda muito acima do nível de US$ 60 em que trafegava antes das ameaças e dos ataques. O efeito mais direto é sobre os combustíveis – que o governo Lula tenta desesperadamente evitar –, mas a lista dos produtos que têm custos atrelados aos dessa matéria-prima é longa.
Derivados de petróleo não só movem o mundo: também ajudam a cultivá-lo (fertilizantes) e vesti-lo (roupas), entre outras funções. O caso dos insumos para o plantio é um dos mais complexos: em situação normal, passa pelo Estreito de Ormuz um terço desses produtos. Além disso, o óleo bruto é base para a obtenção de amônia e ureia, essencial para fertilizantes nitrogenados.
O mundo que ainda depende muito do fóssil ensaia passos tímidos em direção a energias e matérias-primas alternativas, mas o caminho ainda é longo. Confira abaixo.
Roupas
Quase todos os tecidos sintéticos como poliéster, náilon, acrílico e spandex são derivados do petróleo. O mais usado, o poliéster, tem a mesma origem das garrafas PET: o ácido tereftálico (PTA), base de produção do politereftalato de etileno (PET).
Maquiagem
Produtos de beleza usam derivados de petróleo (petrolatos) como óleo mineral, vaselina e parafina líquida. Isso inclui cremes, batons e máscara para os olhos, além de esmalte de unhas. A rejeição à ideia de passar um derivado de petróleo na pele tem gerado produtos que trocam o fóssil por alternativas vegetais.
Produtos de limpeza
Detergentes, sabão em pó, desengordurantes e limpadores multiuso contêm derivados de petróleo, como surfactantes (substância que dissolve gordura) e solventes. Também têm base fóssil polidores de móveis, ceras e sprays para limpeza de vidros.
Carros
O uso de componentes plásticos na montagem de veículos cresceu muito. Têm fonte fóssil componentes tão variados quanto para-choques e revestimentos internos, passando pelo enchimento dos assentos. Existem iniciativas para substituir parte por fibras naturais, como as de coco, mas ainda são raras.
Embalagens
Quase todo plástico usado em embalagens tem origem no petróleo, via nafta, principal matéria-prima da indústria petroquímica que produz diversas resinas para qualquer tipo de necessidade. Do finíssimo filme usado para revestir alimentos vendidos in natura até o bolha que envolve objetos frágeis, tudo vem do petróleo.





