
O alívio da sexta-feira (17) com a reabertura do Estreito de Ormuz durou pouco mais de 24 horas. No sábado, diante da manutenção do bloqueio naval dos Estados Unidos, o Irã voltou a ameaçar com ataques navios que se atrevessem a avançar, sua forma de "fechar" a passagem. Os americanos, por sua vez, apreenderam um navio de carga iraniano que tentava sair do Golfo Pérsico.
No domingo à noite, o mercado de petróleo reabriu em disparada, com o barril do tipo brent cotado a US$ 97,40. Até moderou a alta, mas na metade da manhã desta segunda-feira (20) ainda está em US$ 94,58, resultado de salto de 4,6%. Não é só mais o cruzamento que está em risco, mas o próprio cessar-fogo. Embora existam negociações previstas para a terça-feira (21) no Paquistão, o governo do Irã não confirma participação. É a data limite da trégua de duas semanas acertada no dia 7.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Esmaeil Baghaei, disse que os EUA mostraram "não estar levando a sério" a tratativa diplomática. Afirmou ainda não acreditar em "ultimatos". O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça "destruir todas as usinas de energia e todas as pontes do Irã" se não houver acordo no Paquistão.
A estimativa da empresa de análise Kpler é de que cerca de 170 milhões de barris de petróleo e 1,2 milhão de toneladas métricas de gás natural liquefeito (GNL) estão retidos em navios presos no Golfo. Sem capacidade de escoamento, isso força produtores a interromper a produção em campos de petróleo, refinarias e usinas de GNL.
A maior parte dessas cargas tem como destino mais provável a Ásia, que normalmente absorve cerca de 80% das exportações de petróleo e 90% das cargas de GNL que passam por Ormuz. Mas a Europa também é duramente impactada pela paralisação quase total na passagem pela qual passa 20% do tráfego global de petróleo. Outras instalações foram danificadas por ataques, com custo de reparo projetado em até US$ 58 bilhões.

