
Só há precedente histórico de rejeição de um indicado do governo federal para o Supremo Tribunal Federal (STF) no século 19. Independentemente da oportunidade da escolha de Jorge Messias, que comandava a Advocacia-Geral da União, não foi seu nome que determinou o resultado. Além do desgaste da própria Corte e da crise institucional que a decisão representa, é preciso nomear o real responsável pelo resultado: o escândalo Master.
A atitude do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ao proclamar a derrota do governo Lula, não deixa dúvida de seu trabalho pela rejeição. Depois da votação, senadores admitiram que ele pediu voto contrário. Queria vingança contra a operação da Polícia Federal para apurar possíveis irregularidades no Regime Próprio de Previdência Social do Amapá.
Quem comanda esse fundo de pensão de servidores é Jocildo Lemos, indicado por Alcolumbre. O preposto do presidente do Senado investiu pelo menos R$ 100 milhões em títulos sem garantia do Banco Master. Em julho de 2024, o Amapá Previdência fez quatro aportes em sequência em letras financeiras do Master, sob protesto de parte dos conselheiros. Daniel Vorcaro, ex-dono do banco, buscou aportes de fundos de previdência para tentar evitar sua quebra.
O presidente do Senado não entende que a PF haja de forma autônoma e independente da Presidência da República. O problema, nesse caso, não é a rejeição, que seria saudável sem o peso do escândalo Master, nem a derrota história do governo. É a principal causa da decisão. E a comemoração de senadores que entenderam o resultado como alguma forma de moralização.



