
O jornalista Anderson Aires colabora com a colunista Marta Sfredo, titular deste espaço.
Com duas semanas à frente do Ministério da Fazenda, Dario Durigan já enfrenta pelo menos dois testes de fogo. Paralelamente ao plano de subvenção ao diesel importado, que tenta frear a volatilidade no preço do produto, o sucessor de Fernando Haddad também tem a difícil missão de apresentar um plano para combater o endividamento e a inadimplência da população.
Não há dúvidas de que as duas pautas são prioridades dentro do terceiro governo Lula, principalmente com as eleições presidenciais no horizonte. Tudo que mexe no bolso da população tem potencial de abalar a aprovação do governo federal. Qualquer repique na inflação ou eventual diminuição do já corroído poder de compra desabona o Planalto.
Recebido sem muitas resistências pela maioria dos Estados, o programa de subvenção está mais avançado, embora ainda haja incertezas em relação à adesão das principais distribuidoras privadas de combustíveis do país.
Já o pacote que busca desafogar o endividamento das famílias é mais delicado. Como programas anteriores foram recebidos com reações mistas, a exemplo do Desenrola e da isenção do imposto de renda, a estruturação e apresentação dessas medidas serão um importante desafio para o ministro recém-empossado.
André Perfeito, economista-chefe da Garantia Capital, destaca que, para mitigar ruídos e má aceitação ao pacote, a equipe econômica precisa trabalhar em dois campos. O primeiro é o da comunicação, para informar de forma clara como vai funcionar o programa, evitando vazamentos e ruídos. O outro, ainda mais importante, é o da estrutura. Perfeito afirma que o socorro precisa ser pontual e com regras que permitam uma negociação sustentável dos débitos:
— Se for bem desenhado, com começo, meio e fim, focado em um problema específico, pode trazer alívio num momento tenso, em que o juro não caiu como o previsto. Se for feito de qualquer forma, pode passar a impressão de que a política monetária vai perder força. E isso é uma mensagem muito ruim.
Ou seja, o economista reforça que é necessário elaborar alguma ajuda para essa população, que tem dificuldades com o superendividamento, agravado durante a pandemia. E os dados de inadimplência deixam mais clara essa urgência. O Serasa aponta que 49,87% da população adulta brasileira estava com contas em atraso em fevereiro.
No entanto, o apoio não pode criar um ambiente que enfraqueça a autoridade monetária. Resta observar como o novo ministro vai atravessar essas duas barreiras.
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